GymRats de análise
No Grupo de Estudos dedicado à leitura das Conferências Introdutórias, passando pela conferência 19, “Resistência e repressão”, nos deparamos com o momento em que Freud começa a expor diferentes manifestações transferenciais, a depender do gênero do paciente – e, apesar de não elaborado no material, também a depender do gênero do analista. Ao se debruçar na manifestação por parte das mulheres, Freud enfatiza o aspecto erotizado da transferência para com a figura do analista, numa encenação atualizada do Complexo de Édipo vivenciado na infância. Tal como no momento originário, em que o Complexo se dissolve e a criança escolhe seu objeto sexual e seu objeto de identificação, sem consumar o amor incestuoso inconsciente que nutre por seus progenitores, é necessário que esse amor transferencial, atualizado na figura do analista, também não seja consumado. O que isso quer dizer? O analista, ciente desse processo, que é a força motriz do tratamento psicanalítico, precisa se utilizar desse sentimento como ferramenta para superar as resistências erguidas pelo paciente.
Durante a discussão, ouvimos sobre a experiência de um analista atendendo um núcleo de pessoas que se conhecem e que mantêm algum grau de contato; essas pessoas parecem conversar entre si sobre o processo analítico, em que “pé” da análise cada um está, quem está mais avançado e quem é o preferido do seu analista. Freud pode até ter indicado nos textos sobre a técnica que não seria ideal compartilhar da experiência de análise com terceiros, mas ele não esperava – sequer poderia prever – que a psicanálise, enquanto teoria e prática, fosse ser tão difundida, a ponto de virar assunto em rede social. Brincamos com a ideia de um “GymRats de análise”, em que as pessoas colocariam seus progressos nas sessões, tal como em uma competição: quem está em primeiro lugar na categoria “análise em dia”?
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