Histeria de angústia e seus momentos na teoria freudiana
No texto A Repressão, de 1915, Freud, além de demonstrar em que consiste o mecanismo da repressão e sua principal função, também explicita os mecanismos presentes em cada formação sintomática disponíveis na teoria à época, a saber, a histeria de angústia, a histeria de conversão e as neuroses obsessivas.
O tema da histeria de angústia chamou minha atenção por conta do caso que me levou a buscar uma supervisão, pensei estar lidando apenas com um caso de fobia social, mas a supervisão abriu meus olhos – e meus ouvidos – para entender que essa fobia não passava de uma cobertura de um quadro mais melancolizado, uma fobia com traços melancólicos, quiçá; é interessante o que eu ouvi na supervisão, considerando essa "parceria sintomática" em comparação com o que Freud evidencia no texto de 1915, a saber, que diante o surgimento da angústia, ou seja, o surgimento de uma sensação de desprazer, entende-se que a repressão fracassou gravemente. O que meu supervisor chamou a minha atenção foi para o fato da fobia, naquele caso, ser uma defesa eficiente!
Considerando o deslocamento da representação ideativa para o objeto fóbico, que, nesse caso, são as interações sociais, o sintoma fóbico aparece como proteção imediata ao sujeito melancólico, evita-se a interação social e, por conseguinte, evita-se os sentimentos que são próprios da melancolia: o rebaixamento da autoestima e a manutenção de um Superego avassalador, cuja voz se faz ouvir para este Ego.
Além disso, também é interessante ver como a produção de Freud caminha uma orientação progressiva, já que desde 1894, em As neuropsicoses de defesa, Freud falava na dimensão afetiva que persistia na esfera psíquica de um sujeito e que se ligava falseadamente a outras representações e objetos, esse processo já poderia ser entendido como um deslocamento, apesar de não ter recebido este nome naquela época. Estou seguindo um eixo de debate que já tivemos aqui antes, em relação à complementaridade na obra freudiana, os conceitos vão ficando cada vez mais robustos e bem desenvolvidos, e com o passar do tempo, sem que haja a necessidade de situar um "Primeiro Freud" ou um "Segundo Freud", tal como vemos comumente nos diálogos lacanianos, o que eu gostaria de enfatizar com este comentário é justamente o caráter de sobreposição das coisas que Freud escreveu ao longo de sua vida. A passagem do primeiro para o segundo dualismo pulsional não implica um abandono absoluto das noções de pulsão sexual e pulsão de autoconservação; a adaptação da teoria topográfica do aparelho psíquico para a teoria estrutural, de 1923, também não é indicativo de uma substituição dos modos como se admite o aparelho psíquico – e sim como esses conceitos articulam-se de forma coerente e organizada ao longo dos anos.
O tema da histeria de angústia chamou minha atenção por conta do caso que me levou a buscar uma supervisão, pensei estar lidando apenas com um caso de fobia social, mas a supervisão abriu meus olhos – e meus ouvidos – para entender que essa fobia não passava de uma cobertura de um quadro mais melancolizado, uma fobia com traços melancólicos, quiçá; é interessante o que eu ouvi na supervisão, considerando essa "parceria sintomática" em comparação com o que Freud evidencia no texto de 1915, a saber, que diante o surgimento da angústia, ou seja, o surgimento de uma sensação de desprazer, entende-se que a repressão fracassou gravemente. O que meu supervisor chamou a minha atenção foi para o fato da fobia, naquele caso, ser uma defesa eficiente!
Considerando o deslocamento da representação ideativa para o objeto fóbico, que, nesse caso, são as interações sociais, o sintoma fóbico aparece como proteção imediata ao sujeito melancólico, evita-se a interação social e, por conseguinte, evita-se os sentimentos que são próprios da melancolia: o rebaixamento da autoestima e a manutenção de um Superego avassalador, cuja voz se faz ouvir para este Ego.
Além disso, também é interessante ver como a produção de Freud caminha uma orientação progressiva, já que desde 1894, em As neuropsicoses de defesa, Freud falava na dimensão afetiva que persistia na esfera psíquica de um sujeito e que se ligava falseadamente a outras representações e objetos, esse processo já poderia ser entendido como um deslocamento, apesar de não ter recebido este nome naquela época. Estou seguindo um eixo de debate que já tivemos aqui antes, em relação à complementaridade na obra freudiana, os conceitos vão ficando cada vez mais robustos e bem desenvolvidos, e com o passar do tempo, sem que haja a necessidade de situar um "Primeiro Freud" ou um "Segundo Freud", tal como vemos comumente nos diálogos lacanianos, o que eu gostaria de enfatizar com este comentário é justamente o caráter de sobreposição das coisas que Freud escreveu ao longo de sua vida. A passagem do primeiro para o segundo dualismo pulsional não implica um abandono absoluto das noções de pulsão sexual e pulsão de autoconservação; a adaptação da teoria topográfica do aparelho psíquico para a teoria estrutural, de 1923, também não é indicativo de uma substituição dos modos como se admite o aparelho psíquico – e sim como esses conceitos articulam-se de forma coerente e organizada ao longo dos anos.
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